Quando Luiza Helena Trajano colocou os pés pela primeira vez no chão de uma loja, tinha 12 anos. Não era estágio, não era brincadeira de criança rica acompanhando os pais. Era trabalho de verdade, no comércio da tia, numa cidade do interior de São Paulo que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar. A loja se chamava Magazine Luiza, não em homenagem a ela, mas à tia fundadora, que era tão querida que venceu um concurso de rádio para batizar o negócio.
A menina Luiza Helena fez de tudo. Arrumou vitrine, atendeu no balcão, cobrou fiado, ouviu reclamação, tomou bronca e deu conta. Não herdou uma empresa pronta, ela construiu o caminho degrau por degrau, passando por praticamente todos os setores possíveis antes de liderar o que quer que fosse.
E aqui vai o detalhe que nenhuma manchete conta: quando ela assumiu o comando, em 1991, o mercado varejista brasileiro era uma mesa de homens. Literalmente. As reuniões tinham terno, gravata, conhaque e piada entre amigos. Mulher naquela cadeira não era só incomum, era impensável. Luiza sentou do mesmo jeito.
O que Luiza fez no Magazine Luiza não foi simplesmente crescer, foi reinventar. Nos anos 90, quando a internet comercial ainda engatinhava, ela já experimentava com lojas virtuais. Não por capricho, mas por instinto. Ela enxergava o cliente antes de enxergar o lucro. E essa inversão de prioridades, que muitos achavam ingenuidade, provou ser a jogada mais inteligente do varejo nacional.
Veio a "Liquidação Fantástica", que virou tradição. Vieram as expansões agressivas, mas sempre com alma, cada loja nova era uma comunidade nova sendo abraçada. Vieram as crises econômicas, e enquanto concorrentes fechavam portas, Luiza encontrava frestas. Porque empreender de verdade não é só crescer quando tudo vai bem, é não desistir quando tudo vai mal.
Mas se Luiza parasse no sucesso empresarial, essa história seria só mais uma história de business. O que faz ela ser quem é vai muito além do caixa.
Em 2012, ela fundou o Grupo Mulheres do Brasil, um movimento que reúne milhares de mulheres para discutir e propor políticas públicas sobre educação, igualdade de gênero e empreendedorismo. Não é clube de networking, não é brunch corporativo. É uma frente de ação concreta, que pressiona, que cobra, que propõe. Luiza trouxe para a mesa de decisão vozes que antes ficavam do lado de fora da porta.
E sabe o que é bonito de verdade? Mesmo com todo esse tamanho, Luiza continua falando como gente. Sem jargão corporativo, sem PowerPoint cheio de gráfico vazio. Ela fala de empatia, de ética, de tratar bem quem trabalha com você. Fala que lucro sem responsabilidade social é lucro vazio. E vindo de alguém que construiu um império de bilhões, essas palavras pesam.
Luiza Trajano é embaixadora do Baly por Elas porque ela prova, não com discurso, mas com trajetória, que existe espaço para mulheres em qualquer mesa. E quando não existe, a gente cria. Quando não convidam, a gente senta do mesmo jeito.
Pra toda mulher que já ouviu que certo cargo não era pra ela, que certa ambição era "demais", que sonhar grande era falta de noção: olha pra Luiza. A menina que começou arrumando prateleira hoje arruma debates no Senado, estratégias bilionárias e o futuro de milhares de mulheres pelo Brasil.
Se te disseram que você quer demais, talvez você queira na medida certa. A medida de quem sabe exatamente do que é capaz.